No vídeo acima, assista a intersante entrevista da professora Suzana Viegas da Universidade de Brasília (UnB) sobre direito civil, onde a mesma esclarece dúvidas que respaldam os direitos dos transexuais. Esta é uma ótima entrevista e vale muito a pena ver na integra. Obrigada!
Olá, tudo bem? Espero que sim. Me chamo Gabriella Theodoro, sou uma estudante de Enfermagem. Moro no interior do sul de Minas Gerais, e estou aqui para compartilhar com vocês toda experiência vivida por mim nesta fase de transição, pois sou uma transexual.Obrigada, desde já, espero que gostem.
domingo, 25 de março de 2012
terça-feira, 20 de março de 2012
Transexualidade é abordada de modo correto em novela!
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Segue aqui uma participação de uma mulheres transexuais em a Novela Viver a vida, já exibida na emissora Globo. Entrevistas emocionantes e com histórias iguais a de muitas mulheres como nós. Assistam!
Um shuffle de videos com entrevista abordando a transexualidade, com Lea T
Assista abaixo a entrevista da modelo transexual Lea T, ela expõe de uma maneira bastante culta suas próprias percepções referente a transexualidade, vale muito a pena conferir.
Lea T no Programa de frente com Gabi, 1º parte.
Lea T no Programa de frente com Gabi, 2º parte.
Lea T no Programa de frente com Gabi, 3º parte(final).
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Este é um artigo científico de Leandro Colling, que diz respeito a um estudo de uma das problemáticas das décadas passadas e que ainda persistem em nossos dias, que é a normatização do que seria correto aos olhos da humanidade.
Espero que leiam o texto e tirem suas próprias conclusões, Obrigada mais uma vez!
TEORIA QUEER (Leandro Colling)
A teoria queer começou a ser desenvolvida a partir do final dos anos 80 por uma
série de pesquisadores e ativistas bastante diversificados, especialmente nos Estados
Unidos. Um dos primeiros problemas é como traduzir o termo queer para a Língua
Portuguesa. “Queer pode ser traduzido por estranho, talvez ridículo, excêntrico, raro,
extraordinário”, diz Louro (2004, p. 38). A idéia dos teóricos foi a de positivar esta
conhecida forma pejorativa de insultar os homossexuais. Segundo Butler, apontada
como uma das precursoras de teoria queer, o termo tem operado uma prática lingüística
com o propósito de degradar os sujeitos aos quais se refere. “Queer adquire todo o seu
poder precisamente através da invocação reiterada que o relaciona com acusações,
patologias e insultos” (Butler, 2002, p. 58). Por isso, a proposta é dar um novo
significado ao termo, passando a entender queer como uma prática de vida que se
coloca contra as normas socialmente aceitas.
Neste sentido, um dos maiores esforços reside na crítica ao que se convencionou
chamar de heteronormatividade homofóbica, defendida por aqueles que vêem o modelo
heterossexual como o único correto e saudável. Por isso, os primeiros trabalhos dos
teóricos queer apontam que este modelo foi construído para normatizar as relações
sexuais. Assim, os pesquisadores e ativistas pretendem desconstruir o argumento de que
sexualidade segue um curso natural. “Os estudos queer atacam uma repronarratividade e
uma reproideologia, bases de uma heteronormatividade homofóbica, ao naturalizar a
associação entre heterossexualidade e reprodução” (Lopes, 2002, p. 24).
O maior esforço de Butler, por exemplo, dentro dos estudos queer, foi o
desenvolvimento do que ela nomeou de teoria da performatividade. “O gênero é
performativo porque é resultante de um regime que regula as diferenças de gênero.
Neste regime os gêneros se dividem e se hierarquizam de forma coercitiva” (Butler,
2002, p. 64). De uma forma resumida e incompleta, podemos dizer que a teoria da
performatividade tenta entender como a repetição das normas, muitas vezes feita de
forma ritualizada, cria sujeitos que são o resultado destas repetições. Assim, quem ousa
se comportar fora destas normas que, quase sempre, encarnam determinados ideais de
masculinidade e feminilidade ligados com uma união heterossexual, acaba sofrendo
sérias conseqüências. Apesar de unidos em uma série de aspectos, movimentos gays e teóricos queer
nem sempre pensam da mesma maneira. Uma das tensões é a estratégia, adotada por
muitos ativistas, de tentar demonstrar que os homossexuais são iguais aos
heterossexuais, ou seja, de que todos são “normais”. Para Gamson, a política queer
adota uma postura de não assimilação e se opõe aos objetivos inclusivos do movimento
por direitos humanos gays dominante. “A política queer (...) adota a etiqueta da
perversidade e faz uso da mesma para destacar a ‘norma’ daquilo que é ‘normal’, seja
heterossexual ou homossexual. Queer não é tanto se rebelar contra a condição marginal,
mas desfrutá-la” (Gamson, 2002, p. 151).
De alguma forma, esta tensão entre política queer e movimento gay fica visível
na forma como os ativistas gays reagem a determinados personagens homossexuais nas
telenovelas brasileiras. Em várias ocasiões, por exemplo, o Grupo Gay da Bahia (GGB)
ameaçou processar os autores e a própria emissora em função da existência de
personagens homossexuais afeminados e/ou caricatos. Em outras ocasiões, teceu elogios
quando os personagens “pareciam normais”, sem afetações.
Entre os estudos queer, outro conceito importante é o de camp. Em seu clássico
ensaio, Sontag oferece várias definições para esta expressão que ela considera
“esotérica”. Para ela, falar de camp é falar de sensibilidade, o que é “uma das coisas
mais difíceis” de serem realizadas. “Na realidade, a essência do camp é a sua predileção
pelo inatural: pelo artifício e pelo exagero” (SONTAG, 1987, p. 318). A androgenia é
considerada por Sontag como uma das grandes imagens da sensibilidade. “Camp é
também uma qualidade que pode ser encontrada nos objetos e no comportamento das
pessoas. Há filmes, roupas, móveis, canções populares, romances, pessoas, edifícios
campy... Essa distinção é importante. É verdade que o gosto camp tem o poder de
transformar a experiência. Mas nem tudo pode ser visto como camp. Nem tudo está nos
olhos de quem vê” (Sontag, 1987, p. 320).
Lopes diz que, como comportamento, “o camp pode ser comparado com a
fechação, a atitude exagerada de certos homossexuais, ou simplesmente à afetação. Já
como questão estética, o camp estaria mais na esfera do brega assumido, sem culpas”
(2002, p. 95).
Um cuidado conceitual a tomar é o de não associar diretamente o gay ao queer
ou ao camp. “Ser gay é ter uma simples identidade; ser queer é entrar e celebrar o espaço lúdico de uma indeterminação textual” (Morton, 2002, p. 121). Apesar do rigor
conceitual, a teoria queer pretende mais é provocar o estranhamento nas próprias formas
de pensar, inclusive as acadêmicas e, talvez por isso, este texto seja muito pouco ou
nada queer. Como diz Ed Coheh (apud Morton, 2002, p. 118), o slogan dos teóricos
queer deveria ser: “fodemos com categorias”.
Referências Bibliográficas:
BUTLER, Judith. Críticamente subversiva. In: JIMÉNEZ, Rafael M. Mérida.
Sexualidades transgresoras. Una antología de estudios queer. Barcelona: Icária
editorial, 2002, p. 55 a 81.
GAMSON, Joshua. Deben autodestruirse los movimientos identitarios? Un extraño
dilema. In: JIMÉNEZ, Rafael M. Mérida. Sexualidades transgresoras. Una antología
de estudios queer. Barcelona: Icária editorial, 2002, p. 141 a 172.
LOPES, Denílson. O homem que amava rapazes e outros ensaios. Rio de Janeiro:
Aeroplano, 2002.
LOURO, Guacira Lopes. O corpo estranho. Ensaios sobre sexualidade e teoria queer.
Belo Horizonte: Autêntica, 2004.
MORTON, Donald. El nacimiento de lo ciberqueer. In: JIMÉNEZ, Rafael M. Mérida.
Sexualidades transgresoras. Una antología de estudios queer. Barcelona: Icária
editorial, 2002, p. 111 a 140.
SONTAG, Susan. Notas sobre o Camp. In: Contra a interpretação. Porto Alegre: LPM,
1987, p. 318 a 337.
Transexualidade - Uma Entrevista Com a Mestre e Doutora Em Sociologia, Berenice Bento
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Berenice Bento é graduada em Ciências Sociais pela Universidade Federal de Goiás, mestre e doutora em Sociologia pela Universidade de Brasília. Atualmente, é professora na Universidade Federal do Rio Grande do Norte, onde pesquisa a relação entre os seguintes temas: direitos humanos, transexualidade, gênero e teoria queer. É autora de O que é transexualidade (São Paulo: Brasiliense - Coleção Primeiros Passos, 2008) e A (re) invenção do corpo: sexualidade e gênero na experiência transexual (Rio de Janeiro: Garamond, 2006).
Gênero e estrutura biológica não definem o que somos e o que queremos ser. Essa é uma das questões centrais do discurso da professora Berenice Bento durante a entrevista que concedeu, por telefone, à IHU On-Line. Para ela, “discutir gênero é transitar por um conjunto de teorias e de concepções e explicações sobre o que é ser masculino e feminino”. Sua filiação teórica está ligada aos estudos queer e, por isso, ela defende que gênero não tem nada a ver com a estrutura biológica. “Discutir transexualidade nos remete a discutir identidade de gênero deslocada da biologia porque são pessoas que têm todas as genitálias normais, toda a estrutura biológica, cromossomos absolutamente normais e, no entanto, não se reconhecem no corpo. E, nesse sentido, a genitália é apenas uma das partes do corpo”, explica.
Entrevista feita pelo site Direitos Humanos do senador Cristovam Buarqe, confira em http://www.direitoshumanos.etc.br/index.php?option=com_content&view=article&id=9811:transexualidade&catid=22:direitos-sexuais&Itemid=171
A entrevista é um pouco extensa, porém vale muito a pena conferir e aumentar seus conhecimentos sobre as nossas vidas sociais.
Segue a entrevista abaixo:
IHU On-Line – Como o significado do gênero se articula com o corpo?
Berenice Bento – Discutir gênero é transitar por um conjunto de teorias e de concepções e explicações sobre o que é ser masculino e feminino. Eu tenho uma filiação teórica que é vinculada aos estudos queer que fala que o gênero, a masculinidade e a feminilidade não têm nada a ver com a estrutura biológica. Portanto, não tem a ver com a presença ou ausência de determinadas genitálias, determinadas características sexuais secundárias. Gênero está relacionado à performance, à prática e ao reconhecimento social. Para que eu seja reconhecida socialmente como uma mulher, preciso desempenhar um conjunto de práticas, de performances que possibilitam esse reconhecimento. Neste sentido, a roupa que eu uso, o jeito que posiciono minha mão, a maneira como cruzo as pernas, são esses indicadores e visibilidades de gênero que fazem o gênero. Não existe gênero em uma estrutura corpórea, existe na prática. Nós fazemos gênero no dia a dia.
IHU On-Line – Como pode ser descrito o dispositivo da transexualidade?
Berenice Bento – Esse conceito de transexualidade abordado no meu livro A reinvenção do corpo, foi produzido a partir da minha tese de doutorado. Nele, obviamente, dialoguei com Michel Foucault, autor que trabalha a ideia de um dispositivo da sexualidade que significa mecanismos discursivos que produzem a verdade sobre o que é ser transexual. Sobre o que é esse dispositivo da transexualidade, localizo dois tipos de discursos: o da psicanálise e, principalmente, o da endocrinologia, que trabalha a questão dos hormônios. Esses dois discursos vão dizer que uma pessoa transexual é aquela que odeia sua genitália e demanda desesperadamente uma cirurgia de transgenitação como condição para desempenhar com sucesso a sua heterossexualidade.
Eu defendo que a transexualidade não tem absolutamente nada a ver com a sexualidade. Algumas pessoas transexuais querem fazer a cirurgia, outras não querem. Mas existe uma questão central que unifica o discurso das pessoas transexuais: a luta pelo reconhecimento e pela mudança dos documentos. Muitas pessoas dizem que a genitália não é o problema, o problema é quando não tenho os documentos que me reconheçam, por exemplo, a Roberta Close tinha que mostrar, por muito tempo, um documento que dizia que ela era Roberto Grambini. As pessoas não entendiam. Roberta Close tinha que ficar explicando que o documento estava incorreto.
Cada pessoa transexual vai vivenciar a sua sexualidade de formas muito diferentes, todas as pessoas transexuais não são heterossexuais, não são bissexuais, gays ou lésbicas. Existe uma pluralidade de vivências da sexualidade na transexualidade, existe uma luta pelo reconhecimento de um outro gênero. Discutir transexualidade nos remete a discutir a identidade de gênero deslocada da biologia, porque são pessoas que têm todas as genitálias normais, toda a estrutura biológica, cromossomos absolutamente normais e, no entanto, não se reconhecem no corpo. E, nesse sentido, a genitália é apenas uma das partes do corpo. Muitos mudam o corpo, colocam silicone, fazem aplicação a laser para tirar as marcas da barba, deixam o cabelo crescer, se constitui e produz as expressões do gênero feminino, luta socialmente para ser reconhecida como mulher. Então, o dispositivo da transexualidade, que produz uma única explicação para o ser, para viver a transexualidade na pesquisa que eu fiz, não encontra nenhum tipo de respaldo.
IHU On-Line – A senhora fala que “todos já nascemos cirurgiados”. O que isso significa?
Berenice Bento – Quando você nasce já existe um conjunto de expectativas para um corpo que está na barriga da mulher, inclusive a grande expectativa em torno do sexo. Você vê aquelas máquinas passando lá (ultrassom) e os médicos dizem coisas como “é uma bebê”. No momento em que o médico diz as “palavras mágicas”, é como se tivesse o dom de criar a criança. Aquela frase “parabéns mamãe você vai ter uma menina”, “parabéns mamãe você vai ter um menino”, desencadeia um conjunto de expectativas materializadas em cores e brinquedos. Quando essa criança nasce, ela não é um corpo, uma natureza, um conjunto de células, mas sim um corpo generificado, cirurgiado no sentido de que já há uma cultura de expectativas por aquele corpo, ele não está livre dos imperativos.
A criança, quando nasce, se tem uma vagina, vai usar a cor rosa, vai ter um conjunto de imperativos apontando como a criança deve se comportar. Então, você tem uma produção em série de brinquedos, discursos, religiões sobre uma feminilidade ou uma masculinidade inteligível. É uma cirurgia discursiva, porque o médico que diz “você tem uma menina”, está escrevendo uma gramática de gênero, em um léxico social que já está fadado. O que eu afirmo é que não tem nada a ver com biologia ou natureza. Como é possível alguém falar de biologia quando nós pensamos em todos ensinamentos, toda a repressão, todos os dispositivos, todas as instituições dizendo o que é de menina e o que é de menino? Se fosse da ordem da natureza, não precisaria disto. Eu nasceria e iria crescer e eleger naturalmente. Porém, eu não elejo, eu sou eleita.
IHU On-Line – Qual é o sentido em se falar de sexo feminino e masculino quando já se fala no transgênero?
Berenice Bento – O transgênero, a transexualidade, a transvestilidade, drag queens, são expressões de gênero que disputam com a concepção hegemônica. Na verdade, o que você tem hegemonicamente é aquela ideia de uma continuidade. Você tem uma vagina, logo você é mulher, logo você é feminina e é óbvio que você é heterossexual. Você tem um pênis, logo é homem, é masculino e logo é heterossexual. É esta a estrutura hegemônica do gênero que é problemática. O tempo inteiro nós estamos vendo expressões de gênero, vivências de gênero que explodem essa coisa retilínea com uma correspondência entre desejo e genitália afetada na heterossexualidade. Tanto as ciências quanto a religião, hegemonicamente falando, ainda trabalham com essa ideia de binarismo e tudo que foge disto é da ordem do anormal, do pecaminoso, do não inteligível, do que não tem nome.
IHU On-Line – E como a senhora vê a experiência do Processo Transexualizador, instituído pelo Sistema Único de Saúde - SUS?
Berenice Bento – Foi uma luta longa dos movimentos sociais, incluindo teóricos, ativistas, que reivindicavam que o SUS pagasse essa a cirurgia, porque é uma cirurgia que para algumas pessoas é essencial. A cirurgia é financiada, mas a questão da autonomia do sujeito não é discutida. Ainda hoje as pessoas que queiram fazer essa cirurgia precisem se submeter a protocolos, quando entram para fazer a cirurgia, já estão em desvantagem. Chamo de cidadania cirúrgica ou cidadania precária, porque ele tem que estar durante dois ou três anos se submetendo a burocracias de sessões de psicologia, exames rotineiros para, ao final deste processo, saber se aquilo que ele quer ele só pode fazer se tiver um laudo de transexualidade. Sem dúvida, isso é importante, mas a cirurgia tem que vir como um reconhecimento pleno da condição de sujeito das pessoas transexuais de decidir sobre as alterações corporais de seu corpo.
IHU On-Line – A partir disso, como a senhora avalia a relação entre a transexualidade e a bioética?
Berenice Bento – A questão da ética da vida, pensando os discursos que produzem sentido para a vida sobre os quais a bioética se debruça, é o respeito à autonomia do sujeito. Precisamos pensar no que significam as dores do sujeito, seu sofrimento. Eles têm capacidade de decidir sobre o que querem sobre seus corpos e suas vidas. Eles não precisam ser tutelados pelo Estado. É preciso mudar o foco de uma concepção autoritária, pois hoje o transexual precisa de autorização de toda uma equipe médica e o processo é bastante complicado, e depois disso ele pode fazer a cirurgia. É preciso ter foco na condição plena desse sujeito. Além disso, no Brasil ainda se exige que, para se alterar o documento, é preciso fazer a cirurgia. Isso é absurdo. Porque mesmo com a cirurgia, se leva anos para conseguir mudar os documentos. Em outros países os processos são desvinculados um do outro. Com um parecer de que você é transexual, pode-se ir a qualquer cartório e modificar seu nome e, assim, você passa a viver com todos os direitos e deveres do outro gênero.
Muito obrigada pela atenção novamente.
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